2. Algumas técnicas de dinâmica de grupo.


No seu trabalho como educador, você poderá lançar mão de algumas técnicas ou abordagens facilitadoras do processo de ensino-aprendizagem. Descrevemos algumas delas:

Tempestade de idéias

Objetivo: permitir a expressão das percepções, idéias, valores e opiniões dos participantes sobre temas relacionados à AIDS, DST e drogas, de modo espontâneo e criativo.

Duração: Até 40 minutos.

Material : Quadro-negro e giz ou folha de papel grande (papel metro) e pincel atômico; bloco de papel.

Desenvolvimento:

Vantagens: a técnica permite a obtenção de respostas espontâneas, valorizando as concepções, idéias e sentimentos prévios dos integrantes do grupo.Impulsiona o debate e cria um clima de descontração no grupo, pois a técnica não personaliza o autor da contribuição e é isenta de crítica e julgamento.

Limitações: exige habilidade do facilitador na fase de discussão das contribuições do grupo, dado sua provável diversidade. O facilitador deve ter o cuidado no que tange à emissão de crítica ou julgamento, preocupando-se em respeitar os valores sócio-culturais dos participantes.

Exemplos:

Dramatização

Objetivo: proporcionar a percepção, reflexão de emoções e valores pessoais que geram dificuldades no desenvolvimento de um trabalho, através de vivências dirigidas em situações hipotéticas.

Duração: até 40 minutos

Material: variável, dependendo da situação a ser dramatizada

Desenvolvimento:

Em seguida solicita aos observadores que opinem sobre o ocorrido.

O facilitador encerra sintetizando o relato do grupo, complementando com observações que não foram percebidas pelo grupo, levando os participantes a associarem a situação vivenciada a fatos da vida real.

Vantagens: Coloca em evidência determinados conteúdos internos não percebidos no cotidiano, oportunizando a reflexão. Permite que os participan-tes, na função de observadores, se projetem na situação vivenciada e elaborem melhor dificuldades semelhantes.

Limitações: exige habilidade do facilitador em manejar emoções intensamente mobilizadas.

Sugestões de situações: As situações escolhidas para serem vivenciadas devem se caracterizar pela dificuldade de encaminhamento, pela polêmica e relação com as situações que os participantes enfrentam ou imaginam que irão enfrentar no seu trabalho. É saudável a variação no desempenho de papéis, ou seja, a mesma pessoa viven-ciar os papéis de multiplicador, ou de outros personagens relevantes.

Exemplos:

Debate

Objetivo: permitir a discussão e o confronto de pontos de vista antagônicos sobre temas relevantes à questão da AIDS, DST e drogas, principalmente os de caráter polêmico.

Duração: 30 a 40 minutos.

Material: Nenhum em especial.

Desenvolvimento:

Vantagens: a técnica é útil quando se pretende explorar um assunto sob diferentes pontos de vista, oferecendo elementos para a melhor compreensão do tema.

Limitações: Exige habilidade do facilitador em evitar competição acirrada nas diferentes opiniões manifestas, controle do tempo de modo a não haver desequilíbrio dos argumentos apresentados e conhecimento amplo do assunto.

Exemplos:

Discussão em pequenos grupos

Objetivo: possibilitar a participação e a contribuição dos treinandos em relação a diversos aspectos, mediante a discussão em subgrupos.

Duração: 30 a 60 minutos.

Material: Lápis e papel.

Desenvolvimento:

Vantagens: a técnica propicia a participação e envolvimento dos treinandos que, em situação de pequeno grupo,são estimulados a expressar idéias, opiniões, sentimentos, etc. O grupo pequeno tende a eliminar ou minimizar barreiras à participação, como timidez, vergonha e insegurança para falar em público.

Limitações: É necessário espaço físico disponível para a separação dos integrantes em diversos subgrupos. O pequeno grupo, não deve se formado por mais de 6 pessoas, do contrário o objetivo quanto à participação de cada um pode não ser atingido.

Exemplos:

Estudo de Caso

Objetivo: permitir a discussão e a busca de soluções, de casos passíveis de serem encontrados na vida real, baseados não em meras opiniões, mas em conhecimento de fatos relevantes.

Duração: Aproximadamente 40 minutos.

Material: Histórias (casos) previamente selecionados. Papel e lápis.

Desenvolvimento:

Vantagens: a técnica possibilita a reflexão e a solução de problemas, de situações passíveis de serem encontradas na vida real, com base na participação dos próprios treinandos, que levantam aspectos relevantes de acordo com formação e experiências individuais.

Limitações: O caso deve estar bem descrito para que as pessoas tenham elementos para discutir, "deliberar". Os participantes deverão ter acesso prévio às informações e conhecimentos para o estudo do caso, prevenindo a mera manifestação de opinião ou "achismo".

Painel

Objetivo: Permitir o aprofundamento de determinado tópico relacionado à questão da AIDS, DST e drogas a partir da discussão do mesmo sobre diferentes

ângulos e com visões complementares, não necessariamente antagônicas.

Material: Lápis e papel.

Duração: 30 a 40 minutos.

Desenvolvimento:

Vantagens: A técnica permite um enfoque mais global e aprofundado em relação ao tópico de interesse, ampliando o conhecimento dos participantes sobre a questão.

Limitações: O controle do tempo de exposição dos painelistas é necessário, sob pena de não serem concluídos os pontos de vista trazidos pelo grupo. Falhas na comunicação do painelista (dificuldade de comunicação, insegurança, enfoque inadequado do tema) podem prejudicar a atividade.

Sugestões de Temas:

Sucata

Objetivos: aquecer o grupo para uma tarefa; favorecer a cooperação entre os membros de um ou mais grupos; favorecer a projeção de características individuais.

Duração: Até 40 minutos

Material: Embalagens diversas em desuso, vasilhames (plástico, metal e papel), lixo em geral reciclável, cola, barbante, copinhos, grampos, palitos, tampinhas, tesoura sem ponta, revistas, cartolina.

Desenvolvimento:

1) O HIV na nossa sociedade.

2) AIDS na prisão

3) Uma comunidade sem DST...

Vantagens: observar a evolução do grupo pelo facilitador e pelo próprio grupo; permitir o resgate da espontaneidade (o efeito surpresa facilita o "cair das máscaras"); permite a liberdade de criar.

Limitação: Requer do facilitador habilidade para traduzir minimamente a linguagem simbólica da expressão humana, através dos objetos.